Bebê na Espanha recebe transplante de coração de doador com parada cardíaca e tipo sanguíneo incompatível

Escrito por em 19/05/2021

A vida da bebê Naiara, de dois meses, foi salva por uma cirurgia pioneira na Espanha: médicos do Hospital Gregorio Marañón, em Madri, fizeram nela um transplante do coração parado de outro bebê, com um tipo sanguíneo incompatível, para que a menina pudesse sobreviver. Hoje, ela se recupera da cirurgia.

“É o primeiro caso no mundo em que coincide que seja um transplante em um bebê com doação em assistolia [coração parado] e entre bebês com grupos sanguíneos diferentes”, afirmou o médico Juan Miguel Gil Jaurena, chefe do setor de cirurgia cardíaca infantil do hospital.

De acordo com o hospital, o caso é único no mundo por 3 motivos:

  1. porque o doador e o receptor eram crianças muito pequenas;
  2. porque o transplante foi feito depois de várias horas que o coração havia parado de receber sangue (isquemia) e sido conservado em temperatura fria, e retirado em um hospital diferente do hospital onde o transplante foi feito;
  3. porque os dois bebês tinham tipos sanguíneos incompatíveis.

O transplante

Segundo o médico Juan Jaurena, o hospital em Madri já havia feito, em 2018, o primeiro transplante infantil do mundo entre doadores incompatíveis. Agora, a novidade foi que o coração do bebê doador estava parado, e teve que ser reanimado antes de ser retirado.

O médico Juan Jaurena explicou a diferença, ao jornal espanhol “El País”, entre o transplante de Naiara e outros transplantes cardíacos: num transplante convencional, quando há morte encefálica, o cirurgião encontra o doador com o coração batendo. Daí, faz o órgão parar, retira do doador, coloca em gelo e o leva embora.

Quando o coração já está parado, ele tem que ser, primeiro, reanimado – e só então retirado do doador.

Para isso, o bebê doador passou por um procedimento de circulação extracorpórea, em que o sangue passa a circular fora do corpo, em uma máquina. Quando o sangue chega, então, ao coração da pessoa, ele volta a bater por si próprio.

Para garantir que esse procedimento funcione, é necessário um perfusionista – um profissional que mantém funcionando a máquina de circulação extracorpórea.

“O trabalho do perfusionista, em qualquer cirurgia cardíaca, é substituir a função do coração e dos pulmões durante o processo da cirurgia. Nós somos o coração e o pulmão da criança durante a cirurgia cardíaca“, explicou o perfusionista José Ángel Zamorano, do Gregorio Marañón.

Zamorano e o resto da equipe do hospital – que incluía uma enfermeira instrumentista cirúrgica e cirurgiões – foram ao hospital onde o bebê doador estava internado para pegar o órgão. O nome do local não foi revelado.

Depois de reanimá-lo, o coração foi retirado e conservado na chamada “isquemia fria” – sem fornecimento de oxigênio e em baixa temperatura – para ser transportado.

Fonte G1 | Foto: Hospital Gregorio Marañón


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