Urias faz pop eletrônico e canta sobre raiva em 1º álbum: ‘Gasolina para fazer minhas coisas’

Escrito por em 21/06/2021

Urias custou a acreditar que as coisas estavam acontecendo para ela na música. “É um disco! Não é mais close, entendeu? Agora o rolê é sério”, diz ao site de música do G1, como se precisasse repetir para si mesma.

Não é que ela duvidasse do seu potencial, longe disso, é que uma carreira na arte, de maneira geral, costuma exigir resiliência.

“Quando você é artista em ascensão ou não, tudo te leva a pensar que a arte não vai ser um meio de vida, a pensar que isso não vai te sustentar, não vai ser a sua primeira fonte de renda”, diz e comemora que, mesmo com a pandemia, vive de música.

“É muito louco pensar que com todos os meus recortes sociais, estou realizando sonhos”, continua a cantora de 27 anos, que é transsexual.

 

Urias é de Uberlândia (MG) e foi assessora pessoal de Pabllo Vittar, de quem é amiga até hoje. Ela começou fazendo covers em 2018 e no ano seguinte lançou o EP com seu nome.

Em “Fúria”, o primeiro álbum com primeira parte recém-lançada, ela optou por cantar sobre a raiva, um sentimento com o qual convive há muitos anos.

“Primeiro que nunca achei na minha vida que fosse gravar um álbum. Depois, eu pensei: ‘O que eu tenho para falar?’. Pensei muito nessa coisa de querer falar de algum sentimento e entendi que era sobre a raiva e tudo que vem com ela, o modo como uso esse sentimento como gasolina para fazer minhas coisas”, diz.

“Você passa pelo medo de sair de casa e sofrer qualquer tipo de preconceito primeiro. Outro momento é a solidão, e, depois, chega a hora você cansa de sentir mal e percebe que não é com você. Não adianta eu me mudar todinha, mudar meu jeito de vestir, de me portar.”

Você começa a entender que passa por isso, mas a culpa não é sua, você não fez nada e começa a te dar uma grande raiva. Foi a partir daí que eu peguei a raiva como combustível e fui fazendo as coisas acontecerem.”

Foto: Divulgação/João Arraes

Depois de mostrar como os corpos trans são demonizados no 1º EP, Urias se aproxima dos animais na parte visual do primeiro álbum “como forma de representar o jeito que a sociedade e o sistema animalizam seu corpo”.

Na capa da primeira metade lançada no final de maio, ela aparece ao lado de um touro, animal escolhido porque representa a raiva e a agressividade.

Como se trata do álbum de estreia, tanto ela quanto o produtor Rodrigo Gorky dizem que se sentiram livres para explorar caminhos diversos.

As músicas “Racha”, “Peligrosa” e “Cadela” são exemplos do pop eletrônico da primeira metade do disco. Já “Maserati” vai mais para o lado do rap, gênero que Urias gosta e escuta muito.

Embora as músicas sejam mais combativas, há espaço também para um R&B em forma de pedido de desculpas a um ex-namorado em “Foi Mal”.

Fonte: G1 (Pop e  Arte)


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