O Brasil precisa mudar a forma como investe no enfrentamento dos problemas sociais. Em vez de concentrar recursos apenas na execução de projetos, o país deveria fortalecer organizações e negócios de impacto que já demonstraram capacidade de gerar transformação. Essa é a principal reflexão do consultor em negócios de impacto e filantropia estratégica Fábio Lesbaupin, em artigo publicado na coluna Papo de Responsa, da Folha de S.Paulo.
Segundo o especialista, muitas iniciativas sociais deixam de ampliar seus resultados não por falta de propósito, mas por dificuldades de gestão, planejamento, acesso ao mercado e sustentabilidade financeira.
Como exemplo, o autor cita a trajetória da Poranduba Amazônia, empreendimento de turismo comunitário que, após receber mentorias estratégicas, ampliou o número de turistas, aumentou o faturamento e passou a gerar mais renda para comunidades da Amazônia. O crescimento do negócio também ajudou a criar alternativas econômicas à pesca exclusiva e à exploração ilegal de madeira.
Para Lesbaupin, o Brasil costuma mobilizar investimentos, mentorias e redes de apoio para startups de tecnologia, mas ainda trata de forma diferente os empreendimentos voltados à solução de desafios sociais, priorizando sua sobrevivência em vez de seu crescimento.
O consultor defende que fortalecer organizações de impacto significa ampliar sua capacidade de resolver problemas como pobreza, geração de renda, educação e desenvolvimento territorial, criando soluções sustentáveis e de longo prazo.
Na avaliação do especialista, o país não sofre pela falta de boas ideias, mas pela dificuldade de investir, com estratégia e visão de futuro, em iniciativas que já demonstraram resultados positivos.